27/09/2022

E me pergunto, várias vezes ao dia, já por vários dias, se revisitar algo tão antigo vale à pena. Porque não são apenas "lembranças" no pensamento, há a revisita de sentimentos também. E qual a consequência de despertar o que já dormia? Consigo arcar? Preciso?

A verdade é que, se desperta, é porque está vivo. É um passado meio Lázaro, que parecia morto e foi sepultado, mas que acorda, levanta, anda e ainda questiona. 

Quando aprendi a me perdoar, joguei fora e rasguei várias lembranças em forma de cartas, retratos, desenhos. Não foi um ato ilusório, achando que assim também descartaria meu passado, mas um ato bem consciente de que aquela energia impregnada em cada item também seria descartada. Era uma energia pesada, que me prendia em lembranças e não me deixava dar passos adiante. Guardei um pouco, bem pouco, o suficiente pra lembrar da importância daquela marca em mim, mas que ficou, não é mais. 

E vida que segue... Cada dia de cada vez, e alguma vida nos dias. Revitalizar sentimentos é reviver, voltar à vida, reviver. Dá um novo gás e desperta!

Leca Castro - 27/09/2022

24/09/2022

Ela voltou... A vontade de escrever voltou forte, mas dessa vez não é por dor, apenas... vontade mesmo. Como se algo preso quisesse sair, mas sem gritar, apenas sair e ser livre. Deixar o vento levar palavras e serem lidas por pessoas aleatórias. Palavras sem destino certo, sem intenções ou direções. Apenas palavras.

Os dias dirão se a vontade veio pra ficar e morar, ou se está apenas de passagem, visitando a mim, velha companheira de vida. Sem expectativas.

Enquanto isso, satisfaço a vontade... e escrevo.

Leca Castro - 24/09/22

23/09/2022




Eu até tentei... mas a vida não quis assim.

Tentei de várias formas, por várias vezes. Resisti, cheguei mesmo a me "agredir", mas a danada nos coloca onde temos que estar.

Então, eu celebro. Encontros e reencontros. Destino ou desatino? O tempo...

(É uma ironia, mas publico hoje e não tenho a data de quando foi escrito)


Palavras me derrubam. E quando estou no chão por causa delas é como se um caminhão de outras palavras fossem insuficientes para me levantar.

Palavras me ferem. E pra essa ferida, o único remédio é o tempo. E mesmo assim elas ainda doerão. Mas ficarão mais suportáveis.

Palavras destroem fortalezas que demorei a construir. Uma simples combinação delas em uma frase faz ruir toda a auto confiança que levei tempo considerável para estabelecer. É quando atinge a base de tudo.

Não preciso mais de palavras dizendo que tudo vai ficar bem, que as pessoas são assim mesmo, que a vida se encarrega de fazer justiça. Todo esse óbvio se esvaziou. E tudo que é vazio não preenche mais. E não tenho mais certeza de que as palavras certas virão um dia. Mas já estou cansada de depender apenas de mim. Das minhas palavras mentais. Da força que elas precisam exercer em mim. Estou cansada sim. E fraca. Tentando entender por onde minha força se esvaiu. Tentando aceitar que palavras, além das minhas, aparecerão. Tentando não levar meus dias iludida. Mas é triste. É triste ser sozinha quando se está rodeada de pessoas. É triste estar carente ao extremo. É triste ir se afundando nessa tristeza. E é triste precisar ser salva de si mesmo.  

Leca Castro - 11/01/13

15/12/2018

Porque sorrir não pode, nunca, ser algo arbitrário. A vontade de sorrir deve vir de dentro. De preferência, da alma.
Porque sorrir não deve, nunca, acontecer por obrigação. O ato de sorrir deve vir da vontade. De dentro. Da alma.
Porque sorrir quase nunca é natural. Apenas sorrimos.
Porque sorrir é reflexo. Porque sorrimos pra encobrir tristezas. Porque nosso riso é necessario.
Então... Quando der vontade... E vier de dentro... Sorria!
Quando seu coração pedir, sorria.
Ninguém, absolutamente ninguém, precisa entender. Apenas, sorria.
E que seu riso seja frouxo, contagiante, e transborde seu eu mais profundo.
Sorria.
Smile!

Leca - 15/12/18 (ouvindo um sax tocando Smile - na imaginação)


17/11/2018

Sabe quando não pensamos em como atos simples do nosso cotidiano podem fazer uma diferença enorme em nossa vida se forem suprimidos? Sabe quando fazemos algo de forma quase mecânica, todos os dias, e nem nos damos conta em como tudo aquilo pode ser vital?

Então pense em quando você tem uma cólica abdominal, também conhecida como "dor de barriga", e precisa ir ao banheiro evacuar. Você para pra pensar "olha, uma cólica! Vou parar agora o que estou fazendo, vou ao banheiro, sentar no vaso tranquilamente, vou evacuar, me limpar, esguichar um desodorizador no ar, lavar as mãos e voltar ao que estava fazendo antes da cólica aparecer"? A maioria responderá que não, que isso é bem automático no cotidiano.

Agora vamos mudar a forma de pensar. Imagine as seguintes condições:

- Você precisou retirar parte do seu intestino e agora ele não termina no ânus, mas na sua barriga; (*)
- Você sente essa cólica abdominal mas não possui esfíncter anal (músculo que contrai no ânus e permite que você tenha tempo de encontrar um vaso sanitário para evacuar);
- Como você não possui mais o esfíncter anal, as fezes sairão pela sua barriga sem você poder controlar e esperar chegar até um banheiro;
- Para não se sujar, você precisa usar um dispositivo colado na sua barriga, junto ao pedaço do seu intestino que está exteriorizado ali;
- Esse dispositivo permite que as fezes fiquem condicionadas ali até você conseguir um banheiro para descartá-las;
- Enquanto você não consegue ir ao banheiro, esse dispositivo faz volume, enche de gases, e corre o risco de descolar da sua barriga;
- Ao chegar até o banheiro você precisa esvaziar o dispositivo, deixando que as fezes caiam no vaso sanitário, mas você precisa também lavar esse dispositivo, ao menos um pouco, e nem sempre banheiros públicos permitem essa higienização;
- Esse dispositivo, se não descolar por motivos diversos, costuma ficar bem aderido na sua barriga entre 3 a 5 dias, quando você precisa fazer a troca, descartando o usado;
- E esse dispositivo custa caro, e nem sempre o SUS fornece a quantidade necessária e o tipo ideal para a sua pele, fazendo com que você tenha gastos extras, além de algumas complicações dermatológicas.

Todos esses itens acima fazem parte da vida de uma pessoa ostomizada, que precisa esvaziar e limpar esse dispositivo várias vezes ao dia. E para melhor compreensão:

- O pedaço do intestino que foi exteriorizado na barriga chama-se "estoma".
- Quem tem um estoma abdominal, é um estomizado, ou ostomizado (as duas nomenclaturas são aceitas).
- O dispositivo colado na barriga é chamado de Bolsa de Ostomia.
- Sem a bolsa de ostomia, o ostomizado não teria vida social e nem pele saudável ao redor do estoma, pois as fezes são ácidas e deixariam essa pele machucada. Em várias ocasiões, com feridas doloridas.

Essa é a realidade do dia a dia de um ostomizado. Claro que várias particularidades foram suprimidas aqui, pois o objetivo é apenas mostrar que uma pessoa ostomizada passa por diversas dificuldades, mas uma pessoa ostomizada continua sendo uma pessoa. Uma pessoa com anseios, com dificuldades, com alegrias, com prazeres, com objetivos, com histórias, com tristezas, com esperanças. Uma pessoa ostomizada é uma pessoa normal, que mudou a forma de evacuar, e que, na maioria dos casos, foi o que possibilitou uma continuidade de vida dentro da vida que levava antes.


O ostomizado é enquadrado hoje como deficiente físico (Decreto 5.296/2004, artigo 5º) e isso é uma conquista que merece ser respeitada, pois o ostomizado ainda é alvo de chacotas e discriminação.

Hoje, 16 de novembro, é o Dia Nacional dos Ostomizados, assim definido pela Lei 11.506/2007. Hoje, como qualquer outro dia, é dia de celebrar a vida e a qualidade de vida gerada pela ostomia.

Seja solidário, seja companheiro, seja empático. Qualquer pessoa, seja você, alguém da sua família ou algum amigo pode precisar de uma ostomia amanhã. Em qualquer situação, ostomizado ou não, celebre junto aos outros a vida, sempre a vida.

Leca Castro - 16/11/18

(*) vários são os tipos de ostomia. Acima foi citado um tipo, o de desvio intestinal, apenas para ilustrar.

Sou Enfermeira, ostomizada definitiva desde 2006 e autora do livro "Registros de uma CROHNista. Este texto foi originalmente publicado em http://alemdii.org.br

09/11/2018

Poucas pessoas entendem as gotas de alegria que a vida nos oferece, tampouco as tempestades de tristezas que nos pegam de surpresa e nos encharcam.

Por isso é bom chorar na chuva ou embaixo do chuveiro, porque assim também chovemos por dentro.

Leca - 09/11/18

30/12/2016



Todo fim de ano é a mesma coisa... Cansaço!

Principalmente de pessoas. 

Pessoas que fazem discurso o ano todo e na prática, nem chegam perto do que pregam.

Pessoas que usam palavras em vão, porque desconhecem o real significado, como: amor, família, amizade.

Pessoas que não descem do muro.

Pessoas que prometem, prometem, prometem.

Pessoas que não valorizam. 

Pessoas que desconhecem significado de compaixão e gratidão.

Pessoas egoístas.

Pessoas.

Se você leu até aqui deve ter achado esse pequeno texto cheio de rancor e mágoa. Mas afirmo que não. Só tristeza, desolação, cansaço. De verdade.

Não é por ser fim de ano e começo de outro que as coisas mudam. As coisas só mudam quando as pessoas mudam de atitude. 



31 de dezembro sempre vai existir, ano pós ano. Oportunidades, não.

Agradeço por muita coisa, só não preciso expor isso. Agradeço a Deus através de preces e sentimentos bons em relação aos outros, que por sua vez, me motivam a agir também em relação aos outros. Teoricamente isso volta pra mim.

Filosoficamente, ainda acredito na prática do conhece-te a ti mesmo. Quando aprendo a me conhecer, sei das minhas fragilidades e aprendo a respeitar as fragilidades do outro.

E ainda falando de filosofia e pra encerrar textão/desabafo, deixo pra vocês a lembrança de Sócrates e seus três crivos. Quando for passar algo adiante, examine antes: é verdadeiro? É útil? É bom? Se houver um único "não" nessas respostas, desista.

No mais, comemore... Apenas precisamos lembrar que a vida não é feita apenas disso. A vida é feita do amor que damos. E mesmo que as danadas das pessoas não reconheçam isso, continuem amando. Hoje é certo, mas amanhã... Não.

Bom réveillon!


Leca Castro - 30/12/16

17/09/2016



Não adianta...

Pode o tempo passar, arrastado ou ligeiro, alguns valores íntimos não mudarão jamais. Principalmente quando se acredita que estão relativamente certos (porque o absolutismo no momento é algo só pra soberanice).

Se me dói, pode ser por algumas razões: por orgulho, por egoísmo, por idiotice, por baixa auto-estima, ou apenas por ser doloroso mesmo. E por que não?

E se me dói, chove por dentro. E se chove, fico alagada e seca ao mesmo tempo. Entende? Se entende, aconteceu empatia. Agradeço. Se não entende, espere um dia de chuva por dentro, daquela que não para por um bom tempo. E quando parar, veja se ainda há chuva pra cair e escorrer pelos olhos.

Esses dias marcam, assim como os dias de sol. São dias intensos, onde os extremos tatuam na alma momentos que não se apagam. Sejam eles bons e brilhantes ou ruins e frios. Não importa. Dias assim é que te acordam e te mostram que há vida lá fora, mas que é aqui dentro que as histórias acontecem. O resto é apenas reflexo.



Leca Castro - 17/09/2016


03/05/2016



Quando a mentira é criada com muita convicção, a própria pessoa que a cria se torna sua maior vítima. É necessário tanto esforço pra divulgar uma mentira e deixar rastros pra que ela seja vista como uma verdade, que ela se torna a verdade mais verdadeira ao seu redor.

Por isso desconfio de "verdades" que precisam de propaganda para se manterem. Verdade simples é simples. Não precisa se manter em pé, ela já anda por si só. Não precisa se reafirmar sempre porque ela não tem necessidade de provar nada.


Somos capazes de pensar e tomar decisões, mas não conseguimos distinguir mentiras de verdades. Precisamos observar mais. Onde há muita propaganda, muito esforço em se provar algo, muito holofote em cima... Observe.

A verdade não precisa de provas. Ela é inocente desde sempre. Ela não mente. Observe e verá a razão onde menos espera encontrar.

Leca Castro - 03/05/2016

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