29/11/2012

Hoje não quero escrever sobre o que me aflige, nem sobre o que me alegra.
Hoje não quero escrever sobre você.

Leca Castro - 29/11/12

28/11/2012


Na conta da vida já devo estar com saldo negativo. É que não consigo dar mais do que ela me tira. E se minha contribuição é pouca, o outro também fica em desvantagem, pois não houve doação suficiente de minha parte. Ando cansada dessa defasagem e também de empobrecer pessoas. Preciso me repor pra conseguir ao menos me zerar. Me anular. Ser um nada ainda é melhor que negativar.

Leca Castro - 28/11/12

27/11/2012


Fico imaginando por que é tão difícil de conviver hoje em dia. Viver já não é fácil, mas para se viver bem, é preciso conviver. Não dá pra seguir adiante sem ter pessoas ao redor. Tudo que precisamos fazer envolve mais alguém. Evoluir sozinho não existe. Algumas criaturas precisam dos outros apenas pra fazer algo ruim, só assim se satisfazem, mas o ideal é que precisemos de gente com a gente pra melhorarmos como humanos.

E aí olho em volta e vejo tanto tipo diferente de gente que desanima demais a disposição de conviver. Do folgado ao irônico, não consigo conceber gente assim comigo. E não venha me dizer que comigo vai agir diferente, porque o que somos com um poderemos ser com qualquer um. E não quero gente assim, não mesmo. O ser irônico é aquele que se defende, antes mesmo de ser atacado. Pensem... você junto de alguém que se coloca na defensiva o tempo inteiro! Não, eu realmente não dou conta disso. Gosto de pessoas desarmadas e que querem ser amadas. Pessoas que acreditam que amor é um sentimento amplo e não se restringe apenas a um ser com enfoques sexuais. Que não largue tudo e todos por uma única pessoa como se a vida se resumisse a alguém. Que tenha a quem recorrer quando todos lhe faltarem. Gosto de gente que goste de se doar e que se permita doer às vezes. Gosto de gente que saiba somar e que saiba se anular pelo outro. Gosto de gente que tenha sempre o amor como objetivo, mesmo que enxergue nisso um caminho com algumas dores. Gosto de gente que sente, que se entrega, que mergulha. Na matemática da vida, quero a soma final. E nada mais de metades, só inteiros.

Leca Castro - 27/11/12

26/11/2012


É muito difícil acostumar a receber notícias boas. Exemplo maior é que nem sempre sabemos como reagir quando elas nos chegam. Não sabemos se podemos partilhá-las com algumas pessoas para não atrapalhar a tristeza delas. Ou para não atropelar a tristeza delas. Certo que umas nem se incomodam com isso e já saem gritando, correndo e balançando os braços enquanto alardeiam ao mundo sua felicidade, parecem bonecos de posto.

Mas me diz uma coisa... por que é tão fácil acostumar com notícias que são ruins? Até as reações fluem de forma mais solta: "ai, tô doente!", "bateram no meu carro!", "fui assaltada!", "fulano morreu!". E sempre com esse ponto de exclamação no final, como se as intempéries fossem sempre uma grande notícia. E não são. O certo seria falar baixinho, levar o ouvido de alguém até um canto escuro e sussurrar: "tenho um problema...". Com reticências. É o espaço que o outro tem pra te dizer se quer saber do seu problema ou se quer te contar da tragédia dele primeiro.

Mas toda notícia sufoca. A boa a gente quer logo dividir, mas a ruim, também. Tá, nem sempre, mas vai me dizer que se existe a pessoa certa pra te ouvir a vontade não surge? Alguém que não absorva a dose negativa para si e consiga ficar em equilíbrio pra que possa te ajudar a ficar de pé. Alguém que saiba te dar um colo sem frases clichês e necessidade de ficar falando sem parar. Alguém que até chore junto, mas que tenha o abraço mais aconchegante do mundo. Alguém que saiba ouvir o silêncio e enxergar as lágrimas secas. Daí tudo se descomplica. O problema continua igual, mas seu peso diminui. E isso é fundamental pra continuar a andar.

O negócio é aprender a selecionar quem tem condição de permanecer inteiro com nossas notícias ruins. Com certeza esses servirão para as boas também. E merecem. É importante não procurar milhares de pessoas pra caminhar junto, deixa de ser caminhada e vira passeata da sua vida. Mas é importante também não fazer esse trajeto sozinho. Ninguém nasceu pra ser assim. Só é só quem assim o deseja. Sempre tem alguém que se encaixa ao seu lado. Procure mais, nem sempre quebra-cabeças são fáceis. Dê a mão a alguém e continue.

Leca Castro - 26/11/12

24/11/2012


Vejo hoje três tipos bem definidos de cansaços. O primeiro deles é o do corpo. E esse vejo em várias dimensões: quando a atividade física é grande; quando o trabalho se torna extenuante; quando a doença resolve engrossar a voz pra mostrar que tem poder; quando não se dorme o suficiente. Tudo isso vai minando células e enfraquecendo o aglomerado que nos defende, e então ficamos propícios a mais doenças e sempre, a mais cansaço físico.

O segundo é o cansaço da mente. Hoje em dia nem é muito comum mas ocorre quando a cabeça trabalha muito e o pensamento se torna a voz mais alta que se consegue ouvir. E não pára, é incessante. Você pode pensar em mil coisas ao mesmo tempo ou em apenas uma, mas de forma muito intensa. Acontece então a canseira mental. A cabeça dói fisicamente, mas é porque pensar no que se tem que fazer, no que é melhor ou pior, no certo ou errado, cansa.

E por fim, mas talvez o mais significativo, vem a fadiga do coração. E essa eu já canso só de pensar. Todo coração que já passou por momentos extenuantes, principalmente os de dor, sabe que quando está acelerado é difícil diminuir a marcha. Não há câmbio automático. E fazer o controle de embreagem/freio quando se está em plena descida é para poucos. Por isso tantos desastres acontecem nas estradas de nossa vida. É o coração acelerado que não sabe frear e ponderar sobre seu sentir. E esse cansaço é o que mais desgasta porque o coração possui seu cordão umbilical diretamente ligado à alma. E quando a alma cansa, não há refazimento de corpo e de mente que dê conta.

E olhando assim, no todo, o melhor mesmo é evitar esse fastio, essa sufocação. Pensar no que é melhor para o coração e agir de acordo com o que faz bem ao corpo. E, se mesmo assim nada disso for possível, então que se tenha colo. Que se tenha onde repousar para ganhar fôlego. Que se possa chamar alguma outra alma igualmente cansada e dizer: "Oi, vamos descansar um pouquinho hoje? Vamos nos cuidar?". Se você tem alguém que faça isso ou que se dispõe a isso, então você realmente tem um tesouro. É alguém que pode te refazer, um pouco.

E que o ar nunca nos falte...

Leca Castro - 24/11/12

23/11/2012

http://agnes-cecile.tumblr.com


A verdade é que o medo é o grande vilão de nossos sentimentos. A criatura que diz que não tem medo de nada está mentindo, sempre temos medo de algo. Desde uma perda de um ser amado até de sermos atropelados na esquina. Se não fosse assim não cuidaríamos tanto de quem amamos e não olharíamos para os lados ao atravessarmos a rua. A questão não é sentir ou não o medo, mas sabermos onde ele ajuda e onde ele nos dana. Ele é bom e é ruim. Ele ajuda a não errar mas ele também impede de acertar. Onde saber? Como saber? E quando? Está aí a maravilha de se viver: o desafio em tomar decisões.

E é difícil se decidir porque a realidade das coisas vai muito além do que conseguimos ver. Se você não tem medo e se joga nas relações é porque está pronto para conviver com as consequências? Talvez não. O problema é quando caímos sempre nos mesmos erros e saímos feridos, machucados, sangrando. Nem bem nos restabelecemos e já queremos novo mergulho. Veja bem, não há problema algum em mergulhar e não se ter medo. O difícil é saber se estamos mergulhando nas águas boas, limpas e refazedoras. Analise antes, experimente um pouquinho, deixe molhar o pé para sentir a temperatura. Viu que pode ser um bom mergulho? Então vá. Sem medo. Se divida nesse novo mar. Sim... mar! Não entre de cabeça em pequenas piscinas, pois não adianta querer mergulhar em quem é raso. Tenha o medo como seu amigo e divida-o com quem te ama. Sem medo.

Leca Castro - 23/11/12

21/11/2012


O pior de conviver com pessoas diferentes não são as diferenças, mas a indiferença. Gostar de comidas e sucos que não combinam, apreciar mais o azul que o laranja, preferir MPB a rock, amar mais a madrugada que o sol. Nada disso importa quando se há respeito. Mas não dá pra conviver com quem quer atenção e não consegue prestar atenção. Quem quer carinho e não sabe dizer uma palavra carinhosa. Quem deseja harmonia mas não sabe evitar uma discussão. Quem quer ser cuidado, mas não se preocupa em cuidar. Que seja diferente, mas que respeite seus próprios desejos para que eles não agridam quem também os deseje. Seja diferente, mas não aja com indiferença aos desejos dos que te amam.

Leca Castro - 21/11/12

20/11/2012

Onde te encaixo agora? Ocupei espaços e alguns abismos vou cultivar. Não previ mais lugar para você. Resolvi te deixar livre já que te manter em mim por tanto tempo foi estupidamente desnecessário. Achei que te trazendo comigo ia me sentir menos só, mas quanto mais de você tinha em mim, menos de nós eu sentia. Por isso não te quero mais comigo. Talvez um dia ou em outra encarnação a gente fique junto, mas nessa não quero mais. Vou respirar o que me resta, mas agora com a certeza de estar só, por dentro e por fora. Na verdade é como sempre estive, mas nunca enxerguei assim. Plantei você como algo vital à minha sobrevivência e no fundo sobrevivi sozinha. Respirei você, mas na verdade respirava o ar simples que me mantém viva até hoje. Romantismo não me cabe mais. O único lugar que poderá aparecer será em meus sonhos, mas aqueles que não dependem de mim de forma consciente. Porque não sonho mais acordada. Desisti. São sonhos lindos e que fico por entender já que sempre me fazem doer e chorar. E  isso não é algo lindo. Prefiro doer e chorar pelo que é real, e a realidade é que somos ausentes um do outro e não nos pertencemos. Então que eu chore por isso, que é concreto e real. Não há mais encaixe aqui, não tenho mais espaço. Não mais me encaixo.

Leca Castro - 20/11/12

19/11/2012

Não consigo mais viver no tempo dos outros. Sempre abri mão do meu tempo em respeito a quem amo, mas não dá mais. Acredito que qualquer relacionamento só vai dar certo se ambos os lados cederem um pouco. Ceder sozinha só vai me fazer... ceder sozinha. E o outro lado sempre vai achar que devo fazer isso porque vai se acostumar a isso. Mas não devo, na verdade. Não dessa forma. Se meu tempo é urgente e o outro não tem pressa, ambos sofrerão se mudarem drasticamente isso. A espera vai me sufocar, vai virar ânsia e essa ansiedade vai despertar em mim muita coisa negativa. Da mesma forma que se o outro lado sair atropelando tudo, sem pensar direito e sem entender o que está sentindo, pode acarretar em quedas bruscas e dolorosas. Mas, céus! Onde anda o equilíbrio? Será tão complicado assim esperar um pouco e acelerar outro pouco? Por isso não aguento mais. Quando o outro não se manifesta para sair do 8 e chegar aos 40, desisto de sair dos 80 e tentar o encontro nos 40. Me vem a sensação de que estou lidando com alguém egoísta ao extremo que só enxerga a sua condição e não é esse tipo de pessoa que desejo caminhando ao meu lado ou eu ao lado dela. Não dá pra parar a vida enquanto tem gente esperando. Eu sempre esperei. E nunca tive de volta. Agora, vou viver sem esperar alguém, sem esperar algo de alguém. Pedir tempo pode ser perda de tempo.

Leca Castro - 19/11/12
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