09/05/2013

Tenho medo de desaprender a escrever. Tenho medo de perder esse interesse também. E aí, nada mais vai restar. Não faço mais nada que possa extravasar o que me consome por dentro. Não danço, não canto, não ouço mais meu violão, não exercito, não converso, não escrevo. O que ainda faço é manter o choro. Não que eu queira ou alimente esse ato, mas é a única coisa que sai de mim referente à minha dor que realmente não depende de mim. Não tenho controle sobre minhas emoções, nunca tive. Meu coração sempre cegou minha razão. Sou passional. A cabeça lateja de tanto doer, mas sei que são os pensamentos pedindo pra saírem, tomar um ar, se renovarem. E não consigo ordená-los, eles apenas vão se acumulando e procurando espaço. Pouca coisa cabe dentro de mim agora. Muito pouca coisa. E nessa dicotomia de caber pouco onde praticamente não há nada é que as madrugadas vão passando, insones. E tristes. Vazias. Como eu. Como minha escrita.

Leca Castro - 09/05/13

29/04/2013


Eu me perdi... Em algum momento que passou, eu me perdi. Não foi a primeira vez, mas essa vem sendo a mais difícil. Estou demorando demais pra me achar, me encontrar, me reencontrar. E admito que ando com medo do que vai acontecer e em que estado vou aparecer pra mim.

As coisas desandaram, eu perdi o controle, eu não me equilibro mais na corda bamba. Agir sem pesar consequências não é o que faz parte de mim, mas me vejo fazendo isso e vejo pessoas machucadas com isso. Não quero ser assim, não quero me desgostar, preciso ser melhor. Eu já fui.

Houve uma época em que pessoas gostavam da minha companhia, sentiam falta, se sentiam bem. Isso me mantinha aquecida. E hoje me sinto gelo, e seca. Gelo seco. Muita fumaça. Talvez por isso não me encontre...

Não consigo me encontrar, não consigo ordenar meus pensamentos, não consigo controlar os sentimentos. E não conseguir também não faz parte de mim. Então, cadê eu? Quem é essa? Quem sou eu?

Eu me perdi, em algum momento. Eu me afoguei. Eu sempre soube nadar, e quando precisei, também soube desafogar. Não sei mais. Preciso respirar de novo... preciso ser salva. Não sinto o ar. Não vejo a luz. E ninguém pra me salvar.

Leca Castro - 29/04/13

05/04/2013

Essa secura que a vida vai deixando em minha boca, faz com que eu seque mais ainda. Tudo parece mais amargo e sem sabor. E independente de acreditar ou não em destino, a vida sempre vai surpreender. A mim e a você. O que nos cabe é aproveitar as surpresas boas e não multiplicar as ruins. Porque tem dias que elas parecem muito maiores do que realmente são. Um cisco no olho pode virar uma pedra em minha visão ou pode me fazer fechar os olhos, ou pode ainda ir embora com uma lágrima. Mas ainda assim será um cisco. Da mesma forma que um sorriso pode virar um acolhimento, um colo ou um sarcasmo. Também ainda assim será apenas um sorriso. Tudo que aparece acaba sendo neutro e o que faz esse tudo mudar é o enfoque que damos. E é isso... preciso aprender a tratar um cisco como cisco e acatar um sorriso como um sorriso. Hora de entender que mais importante que a intenção de um gesto é a minha forma de receber o gesto. Hora de despir os escudos. Hora de desarmar... chega de desamor.

Leca Castro - 05/04/13

03/04/2013


A vida me cobra... como cobra de qualquer um. E eu gosto da teoria que diz que quanto mais a vida exige é porque mais tenho condição de enfrentar o que ela me traz. Aliás, é bem melhor essa teoria do que a de achar que sofro de acordo com o que já fiz sofrer. E não... não estou dizendo que concordo ou acho certo ou qualquer outra coisa. Apenas disse que é algo que agrada mais, sendo verdade ou não. Estou apenas conversando comigo mesma através do teclado.

O que eu faria hoje, agora, em relação às pedras que começam a despencar do nada? Ah... Faria coisas diferentes porque as pedras são diferentes. Umas eu consigo carregar, mas outras, não consigo nem afastar do caminho de tão pesadas que são. E acabam por atrapalhar o caminho de outras pessoas também que estão por vir. Essas são as pedras complicadas. Mas o pior mesmo são as pessoas que aparecem e se tornam pedras na nossa vida. Como se livrar de gente? Eu não sou boa pra isso, nunca fui. Nunca soube nem dizer "não" a diversas situações, quanto mais a afastar alguém.

O problema é que hoje olho minha estrada e vejo tanta pedra que não consegui transpor ou deixar, que às vezes me perco em meio a elas. Eu não sei o que fazer... Eu não sei como continuar com todo esse peso. Eu não sei me livrar do peso. Eu só sei que não quero mais, que não posso mais. Se eu não continuar a caminhar sinto que vou atrofiar. Nunca fiquei tanto tempo sem conseguir. E eu preciso seguir adiante...

Já caí várias vezes, mas já levantei tantas vezes também. E não estou no chão agora. Estou de pé. Só não consigo caminhar. A cada passo, aparece mais uma pedra que me faz recuar. Só vejo pedras ao meu redor e elas obscurecem minha visão, não enxergo a direção certa. Tenho medo. E então fico parada, quieta... E pela primeira vez na vida espero alguém que passe por mim, estenda a mão e me convide a caminhar junto. Não consigo mais correr riscos. E vou ficando à beira do caminho... à beira de mim mesma.

Leca Castro - 03/04/13

28/03/2013

E as pessoas não sabem direito da sua vida e logo concluem tudo que você diz da forma que melhor conseguem absorver. E raramente será real. E eu entendo isso, de verdade. Mas nem se eu tentar explicar vou conseguir realmente mostrar publicamente como me sinto. Talvez pra uma pessoa ou outra, mas nem sei se quero ser entendida a esse ponto. Ter que me explicar pressupõe que terei que me entender antes e isso é algo que me assusta. Sei o que penso e o que sinto, mas a forma como conduzo essa parceria ainda é precária e não tenho tido muito sucesso em manter um equilíbrio entre essas duas asas. E esse desgaste me come por dentro, me deixa sem forças, me arrasa. Sou eu mesma que me canso. Eu penso tanto e brigo tanto contra meu coração que preciso sair juntando pedaços que ficaram por onde passei. Sim, sou toda remendada. E alguns retalhos já estão velhos e pedindo refazimento, mas acho que preciso é de um coração novo, um transplante talvez. São tantas cicatrizes que não há mais espaço pra refazer costuras. Bem que cada pedaço podia representar uma pessoa que tenha passado por mim, mas não. São vários cacos da mesma pessoa e deve ser isso que me deixa assim, fraca... indisposta... desanimada... não quero mais remendos. Quero que minhas marcas se regenerem. Ou que ao menos deixem de doer. Preciso respirar sem que encher o pulmão me custe tanto. Preciso de mais vida em minha vida. Preciso viver...

Leca Castro - 28/03/13

27/03/2013

Nestes laços e espasmos
Contraem-se os pericárdios
Tão saudativos e apressados
Correm por medo infestados
E desmaiam-se de cansaços

Na lembrança dos tempos
Na saudade dos diálogos 
E dos amores contrários
Dialogam-se convidativos 
Pois, pela distância reprimidos

Exalam-se fortemente exaustos
Saciam-se com pães requentados
E são pelas palavras relembrados
E por elas também são esquecidos
Pois ficam somente os verdadeiros

Gabryel Cordeiro

24/03/2013


Por que justamente no momento em que tenho menos condição, menos força, é quando mais a vida exige de mim? Que propósito é esse de ser testada de forma tão intensa e sem trégua? Se fosse em determinados momentos, mas não... Tornou-se constante. A necessidade de fazer coisas que não são diretamente pra mim vem acontecendo todos os dias, várias vezes ao dia. Nunca me importei em me anular ou deixar meus problemas de lado pra resolver problemas fora de mim. Mas me sinto acumular. E não ando conseguindo me salvar de mim mesma. 

Seria uma forma de testar meus limites? Pois tem dias que sinto que eles foram ultrapassados. E se não faço tudo que venho fazendo? Fico péssima e acho pior que o esgotamento físico e emocional. Mas pela primeira vez em anos, e de forma clara e consciente, admito: estou perdida. Ando me perdendo. Passei a não fazer sentido. E não faço mais sentido por sentir demais...

Leca Castro - 24/03/13

20/03/2013


Venho me sentindo deslocada desse mundo, alheia a mim mesma até. Me sinto no limite das forças que ainda tenho ou então deixei esse limite pra trás enquanto caminhei até aqui. Sei que não sou fraca, mas é assim que estou. Cansei de fingir que estou bem, de digitar risos, de responder "tudo bem, e você?". Cansei. Esgotei. Não suporto mais ser julgada e analisada por pessoas que deposito confiança e que na hora que preciso, só demonstram que mal me conhecem. Sou muito mais que aparento, mais que palavras que digito, mais que sentimentos que demonstro. Porque o que sinto realmente, mal sei demonstrar. De tanto ser sincera e dizer o que brota fácil do coração, penso que passei a ser algo parecido com clichê. Tantas pessoas mentem com facilidade que vejo me colocarem no mesmo barco. Não sou clichê. Quando eu digo que amo, eu amo. E não me diga pra não amar, que não terei amor de volta porque se eu precisasse que fosse assim mesmo, não seria amor. Não quero amar pra ser amada. Quero amar porque isso me preenche. Não há esvaziamento no amor. A úncia coisa que preciso é de confiança, é de gente que se coloque no meu lugar por um momento, num instante de crise e saiba enxergar o que me acontece, o motivo de algumas palavras e atitudes. Querer que eu seja perfeita chega a ser irônico. Só quero gente que seja menos egoísta, que consiga ver a mim além de si mesmo. Gente que consegue engolir o orgulho por um instante e estender a mão. É o que tento fazer com quem deposita confiança em mim. E não digam que quero muito, porque não é muito. Ou melhor, é muito pouco. Demonstrações de carinho e afeto são coisas mínimas pra se conviver com quem amamos. E fazer isso num dia bom é fácil... mas na hora de enxugar uma lágrima, cadê? E assim, cada um vai pro seu canto, chora seu pranto, tem seus motivos, e todo o resto que se dane. Aparências vão prevalecendo, conclusões vão sendo feitas e enganos bestas destroem possibilidades lindas. E isso cansa. Erros iguais sempre, cansam. Preciso urgente de gente.

Leca Castro - 20/03/13

12/03/2013


Me sinto pouca... me sinto quase nada. O dia termina e fico com a sensação de que, mesmo tendo produzido por horas, mesmo sem ter tido tempo de gastar meia hora do almoço, mesmo com pouco tempo pra uso próprio, ando valendo muito pouco no mercado da vida. Não tenho sossego em achar que fiz tudo que podia. Sempre acho que rendi quase nada. Sempre me sinto em falta. Sempre me sinto vazia. Ou cheia de espaços. Mentira. Ultimamente não consigo mais me sentir. Não sobra tempo, não sobra espaço, não me sobra. Me sinto insuficiente. Me sinto em falta. Não me sinto. E ninguém mais me sente.

Me sinto pouca... me sinto tão pouco!

Leca Castro - 12/03/13

11/03/2013

Tem dias que tudo que mais quero é ficar quieta, bem quieta. É uma tempestade tão grande de emoções que não sei bem pra que lado ir, me sinto sem rumo. Sempre fui assim, dominada pelo que sinto. Fico cega, não enxergo o melhor caminho e, às vezes, não enxergo caminho algum. Por isso, nesses dias, tudo que mais quero é ficar quieta, pra ver se tudo se aquieta aqui dentro também.

Leca Castro - 11/03/13

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