07/08/2013

Eu queria ser forte... Eu queria ao menos conseguir fingir que sou forte. Deixar algumas pessoas perceberem minhas fraquezas é ficar vulnerável. É achar que farão uso disso em momentos críticos, até que esse uso vire abuso. E no fim, o que sobra? Eu. E um vazio.  

E é esse vazio que me enfraquece. É saber que não existe alguém capaz de se doar a mim. Capaz de se anular por mim. Capaz de perceber o vazio e ter vontade de preenchê-lo.

E só dá pra saber que esse vazio existe porque um dia ele não existiu. Ele nunca me fez falta. Nunca foi companhia. E apesar de hoje ser ele que me acompanha, sua presença não me preenche. Porque ele é um vazio...  

Cada pessoa que entra ocupa um espaço, mas cada uma que sai deixa o espaço que ocupou mais um buraco. E é esse buraco que dói, que me faz cair, que me segura em seu leito. Se não é fácil levantar dele, quanto mais sair. E quando finalmente levanto pra tentar enxergar adiante, vejo mais buracos. Então me olho e vejo vazios imensos. Tantos vazios quanto as pessoas que já passaram.

E sei que cada um que hoje permanece, bem poucos, vão deixar buracos maiores. Eu já sinto a falta por antecipação. E não, não é pessimismo. É apenas experiência. Quem dera eu me surpreendesse... Mas faltam-me forças. Não sei mais como é ser forte. Não quero mais ser forte. Quero desabar. Quero ficar nos buracos em mim. Quero me soterrar.

Leca Castro - 07/08/13

28/07/2013

Se você quer ser alguém de bem com a vida, pense em si mesmo. Mas se quer ser alguém bom, pense nos outros.

Leca Castro - 28/07/13
Um choro de dor se transforma em choro de desespero numa rapidez tão grande que você mal sabe onde um começa e o outro termina. É aquela sensação quando você chora porque alguém te feriu ou até mesmo pelo sofrimento de alguém que ama, e essa pessoa não sabe nem de meia lágrima derramada. Ou não se importa. E você chora sozinho sempre.

Quantas vezes choramos dores sozinhos? Quantas vezes temos receio em dizer o motivo do choro e sermos tachados de bobos, mesmo que por pensamento? Quantas vezes nos doemos solitariamente? E chorar, cansa. Se doar, cansa. Viver, cansa. E cansados vamos vivendo as dores. E revivendo.

Quando pequena achava que dentro de mim existia uma fábrica de lágrimas, um lugar onde elas são fabricadas. Claro que existe, mas na minha cabeça infantil era uma máquina que criava a parte molhada do choro. Desde pequena eu chorava muito. E sempre sozinha.

E minha própria história se repete desde então. Na infância, na adolescência, no casamento, na vida adulta, materna, feminina, profissional. E sei que será assim também na velhice. E na morte. E ninguém saberá um décimo dos meus choros. Choros esses que nunca fiz questão de esconder muito, mas quase nunca apareceu alguém pra perguntar algo sobre. Então a sensação de chorar sozinha é por isso. E o choro de dor vira desespero porque sei que a vida vai continuar e ninguém saberá que chorei um dia. Que chorei vários dias. Que choro hoje.

Leca Castro - 28/07/13

10/07/2013

A vida tira, mas a gente costuma deixar ir. Costumo perder forças quando vejo que perco pra alguma força maior que a minha. E me sinto fraca pra lutar, impotente até. E deixo ir...  

E depois que a tempestade passa percebo que deixar ir dói mais que perder. É uma culpa assinada. É um remorso que consome. Mas eu nunca sei exatamente o que fazer pra manter e talvez esse seja meu maior desafio: não saber manter.  

Às vezes vou além do permitido ou então deixo de dar um passo fundamental. Seria esse equilíbrio a conquista e o objetivo? Mas se não sei discernir nem quando é melhor deixar ir, como saberei se devo manter? E mesmo se soubesse, como faria isso?  

Sendo como sou, agindo apenas por meus impulsos, já vi que não é o caminho, pois não me sinto querida apenas pelo que sou. Como se fosse pouco. Como se eu fosse comum. E preciso me esforçar pra mudar pra melhor. Pra ser alguém melhor. Eu preciso ter prazer em me sentir bem comigo mesma. Daí pode ser que alguém também sinta o mesmo prazer. Talvez até alguém me procure por sentir minha falta e não perceba a falta que faço apenas quando me encontra por aí... Não faço falta... Se fizesse, saberia, não?

Leca Castro - 10/07/13

04/07/2013

As pessoas vão se acomodando em suas próprias vontades e nem percebem quando atropelam a vontade dos outros. Cada um de nós tem um jeito peculiar de ser e de viver, isso é fato. Mas por quê nos achamos imutáveis? Por que os outros devem respeitar o nosso jeito se, para isso, eles precisam mudar o jeito deles? Não serei eu que faltarei com o respeito ao jeito deles?

A melhor jogada, pra se conviver bem com o outro é equilibrando as concessões. Cada vez é a hora de um ceder um espaço no seu jeito pro outro se ajeitar. Sempre um vai precisar mais do outro vez em quando. Normal. Mas é que somos tão orgulhosos que não admitimos isso. E nos chateamos quando alguém não respeita nosso jeito. Olha a confusão...

E aí, quando mais precisamos de pessoas que confiamos, onde estão? Vivendo seus momentos, suas dores, suas alegrias, seus jeitos. Falta tempo. Sempre falta tempo do outro e pro outro. Falta tempo e sobram desculpas. Justificativas. E será que existe explicação pra falta de tempo em ajudar a quem se diz amar?

Só sei que das vezes que mais precisei foram as vezes que menos tive. Talvez por (falta de) mérito, não descarto. E foram nessas vezes que mais vezes precisaram de mim. E me dei. E me doei. E assim passou a doer menos. Mas os buracos vão aumentando e com eles, um vazio cada vez maior. E continuo a sentir frio...

Leca Castro - 04/07/13

25/06/2013

Sentir ausências não é estar só. Não é ter falta de pessoas ao seu redor. É mais que isso. E menos também. Sentir ausências tem relação direta com perdas.

Pessoas passam por nós e isso é normal e corriqueiro. De vez em quando alguma fica. Fica e finca raízes, às vezes profundas. E quando partem deixam a marca, um espaço, um buraco. É a falta. É a ausência.

Umas partem por opção, e você sofre por ter investido, acreditado. Outras partem por falta de opção. Aí o sofrimento fica inconformado. E assim você vai vivendo, entre perdas e alguns poucos ganhos.

Quando se perde alguém para a morte, há a dor e o luto. E nada pode ser feito, portanto, nada de esperanças. Só a dor do buraco das raízes que um dia estiveram ali, sólidas. Mas quando se perde alguém para a vida e em vida... não há luto. Há revolta, raiva, rancor, mágoa, tristeza, arrependimento, e mais uma infinidade de sentimentos que se confundem e se misturam.

Hoje não sei exatamente quais sentimentos me tomam e em quais intensidades. Alguns me domam, como a carência misturada com a ausência. Quem dará conta de mim agora? Quem me ajudará a ser eu mesma quando escorregar do caminho sem perceber? Quem me dará um colo? Quero dormir, mas dormir muito. Talvez por dias e acordar com os fatos já diferentes. Quero atenção e quero que me esqueçam. Quero abraços mas também quero um tapa. Quero sentir. Quero me sentir. Sinto frio...

Leca Castro - 25/06/13

20/06/2013


Tudo me dói, amiga... tudo. A cabeça fica latejando, sem parar. Não sei se é por ainda não ter trocado as lentes dos óculos (deve ser), mas pode ser também por pensar demais. Eu sei que falo muito, mas você sabe que penso muito mais do que falo, mesmo às vezes falando sem pensar. Parece contraditório mas você me entende, não é? É a única que sabe que quanto mais eu me expresso e falo, mais estou deixando de dizer. E eu não sei mudar isso. Quer dizer... eu não sabia. Você me ensinou um jeito. Você se disponibilizou pra mim de tal forma que, pensar alto com você se tornou fácil. E isso é ótimo porque assim posso ir colocando minhas confusões no pensamento em ordem. Mas minha cabeça dói e acho que é por já fazer muito tempo que não penso alto. Mas como eu poderia, amiga? Eu não consegui ser egoísta e deixar de lado tudo que tem passado nos últimos meses. Eu não consegui me expor mais... E o único motivo foi querendo te poupar. E eu te disse isso, não disse? Você me xingou e tivemos uma discussão. E minha cabeça continua a doer...

Eu também tenho dor nas costas e nos ombros. Podem ser as hérnias... ou a sacroileíte. Minha anja diz que o lipoma e o cisto que tirei são apenas reflexos físicos dos pesos que ando carregando e que me recuso a dividir. Mas você sabe que não é isso. Você sabe que são coisas que não tenho como dividir. Eu só conseguia fazer isso com você. Das outras vezes que tentei, só consegui receber descaso, desprezo e nãos. E acho que fiquei tão frágil que ao menor indício de mais uma dessas negativas, eu já me sinto bamba e indo ao chão. Então não, amiga... deixa que eu continuo levando os pesos.

Também tem o abdomen. Ele dói, e às vezes acho que é pra me lembrar que não posso me descuidar. De outras vezes é pra me sinalizar que tem algo errado e devo buscar ajuda. O pouco que me resta por dentro me avisa: "ei, estamos aqui ainda!" 

E você passou por tantas dores nos últimos tempos, e sentiu cada uma delas em silêncio, sem que ninguém percebesse. Eu sabia que elas eram fortes, pelo menos tecnicamente. Mas nem comigo você quis dividir essa parte, só me contava depois dos sufocos. Você é forte e sei que (quando eu digo que sei, é porque sei mesmo) está tendo apoio do ser que mais amou nesse mundo de cá e que continuou a amar daí. Você tem aparo, amiga. Você, finalmente, está bem. 

Nós, que aqui ficamos, é que não estamos. E aí é a parte onde me sinto egoísta e mesquinha demais... por sentir sua ausência, por te querer perto, por não saber como te amar de longe. Me perdoa? Acho que desde sempre você sabia da minha necessidade de você. E sua falta me dói, me aperta, me retorce. E eu choro. Sem parar.

Eu nunca consigo sentir minhas dores de forma plena, lembra que te disse isso uma vez? Sempre preciso me abafar pra cuidar da dor de outro alguém. E dessa vez não está sendo diferente... Talvez isso seja bom. Você mesma me disse que era Deus me dando a chance de sofrer menos e quando ajudamos o outro estamos nos ajudando. Mas eu queria sentir a dor da sua falta, amiga. Eu queria sofrer até o último fio de cabelo. A impressão que tenho é que só quando eu conseguir fazer isso é que me livrarei do peso da sua perda. Eu não quero ser egoísta, mas estou sendo...

Eu sei que a gente continua juntas... sei que a gente se ama e esse amor nos unirá pra sempre. Sei que esse sofrimento meu vai passar e vai restar a dor. E sei que a doer vai fazer parte de mim. Mas vou escrever, vou chorar, vou lembrar, vou sorrir. E assim ela vai amenizando quando ficar forte demais. Você é a irmã que eu escolhi ter. E vou te trazer sempre comigo, bem dentro. 

Eu me arrependo de muitas coisas que te disse, e me arrependo também de outras tantas que deixei de te dizer. E não tenho vergonha disso, porque te dizer que estou arrependida é meu modo desesperado de te pedir perdão. E se eu não fizer isso agora, será mais um arrependimento acumulado. 

Você foi forte nos últimos dois anos e foi mais forte ainda nos últimos quatro meses. Te tenho como exemplo de força e fé. Agora preciso me reerguer porque não dá tempo de ficar lamentando a morte ainda em vida. E nem posso morrer em vida. Prometo cuidar dos seus, prometo cuidar de mim. E prometo cuidar de você, todos os dias, como sempre fiz. E sei que fará o mesmo por mim. 

Se cuida, amiga... me cuida. Fica com Deus. Te amo.

Leca Castro - 20/06/13

16/06/2013

O dia é seu. Apenas seu. Todo seu.

Você é uma criatura linda que a vida me trouxe. Te sinto como um presente. Um presente que se ajustou às minhas necessidades, carências e desejos. Porque você é uma pessoa especial. Ímpar. E a sua especialidade é ser você mesma.

Você usa máscaras,  como todo mundo. Vejo você vestindo a máscara com um sorriso, quando esconde sua dor pra aliviar a dor do outro. A máscara da seriedade profissional quando tudo que quer é sorrir por estar fazendo o que gosta. A máscara sem rugas quando esconde a dor no estômago pra não preocupar sua mãe. Suas máscaras são verdadeiras.

E por falar em verdade, você é verdadeira. Transparente. Não se esconde e se expõe quando acha necessário,  sem medo das opiniões alheias. Você se entrega. Se atira. Não tem medo de abismos. E quando tem, se atira assim mesmo se achar que deve. Porque você é maior que seu medo. Você sabe que tentar e cair é mais importante que não tentar.

Você personifica o amor. Você ama. Ama tanto que se anula. Ama tanto que seus atos são amor. Suas palavras são amor. Você exala amor.

Esse não é um texto longo mas um texto carregado. Cada frase tem um peso pra mim. Cada palavra eu puxei cá do fundo. Cada entrelinha tem meu amor por você.

Parabéns por mais um ano. Obrigada por mais um ano.

Leca Castro - 16/06/13

12/06/2013

Querer nem sempre é o problema, mas o que queremos e a forma que queremos sim. O mais complicado sempre foi o "saber desejar". Somos voluptuosos, vorazes e ávidos quando se trata da nossa vontade. Atropelamos a vontade do outro e nos sentimos no direito de satisfazer a nossa, sempre. Se ao menos soubéssemos o poder que nossa vontade tem... É ela que comanda nossos passos e ações. E sem ela ficamos reduzidos ao nosso instinto. Animalesco. Burlesco. Por isso tenho vontade de mudar, tenho vontade de crescer. E também por isso falta vontade de tentar, porque nada disso é fácil. E nessa dicotomia vou dormindo e acordando, mais acordando que dormindo. Mais uma noite se vai, mais um dia chega e mais uma vida foi escrita. Saber o que querer vai além de desejos, mas tem relação profunda com a vontade. Eu desejo, eu quero, eu tenho vontade. Apenas por hoje.

Leca Castro - 12/06/13

09/05/2013

Tenho medo de desaprender a escrever. Tenho medo de perder esse interesse também. E aí, nada mais vai restar. Não faço mais nada que possa extravasar o que me consome por dentro. Não danço, não canto, não ouço mais meu violão, não exercito, não converso, não escrevo. O que ainda faço é manter o choro. Não que eu queira ou alimente esse ato, mas é a única coisa que sai de mim referente à minha dor que realmente não depende de mim. Não tenho controle sobre minhas emoções, nunca tive. Meu coração sempre cegou minha razão. Sou passional. A cabeça lateja de tanto doer, mas sei que são os pensamentos pedindo pra saírem, tomar um ar, se renovarem. E não consigo ordená-los, eles apenas vão se acumulando e procurando espaço. Pouca coisa cabe dentro de mim agora. Muito pouca coisa. E nessa dicotomia de caber pouco onde praticamente não há nada é que as madrugadas vão passando, insones. E tristes. Vazias. Como eu. Como minha escrita.

Leca Castro - 09/05/13
RSS Feed Siga-me no Twitter!