07/09/2012


Não sei falar de mim. Não sei como proceder para falar de mim mesma. Não sei responder a um “tudo bem” de acordo com o que realmente sinto.
Não sei pedir ajuda. Não sei como fazer pra demonstrar que preciso de ajuda. Mas ando descobrindo que sou alguém muito estranha e solta nesse mundo em que me encontro. Enquanto me anulo e me envolvo, tudo bem. E gosto disso também. É prazeroso poder ajudar, levar alívio, aconchego, quentura. Sinto que fico fortalecida. Até levar uma rasteira. E quem disse que tenho equilíbrio, que sou uma pessoa estável emocionalmente para com meus problemas?
Sou daquelas que vive um dia de cada vez e vai acumulando trechos amargos de uma conversa, palavras pouco afáveis de outra, olhares atravessados, gestos agressivos. Mas num dia determinado chega aquele infeliz que fará o papel da gota que faltava. E transbordo. Nessa hora, perco toda a lucidez de antes, me desajusto e caio no chão como uma jaca completamente podre. E me sinto espatifar e cheia de hematomas.
Sei que vou melhorar, os roxos sumirão e os cacos vou colando aos poucos. E começo a rir quando alguém diz que sou complexa demais. Quem diz isso não me lê, não sabe nem onde coloco erroneamente a vírgula, nem nunca entenderá a minha dificultade em ser coerente quando escrevo enquanto choro.
E a falta de coerência pede, implora para que eu pare logo antes que nem eu mesma entenda o que escrevo nesse estado. Ou os outros são muito frios em relação a mim, ou sou burramente intensa em relação a eles.





Leca Castro - 23/05/12






Categories:

0 comentários:

Postar um comentário

Já já eu libero ;-)

RSS Feed Siga-me no Twitter!